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domingo, 15 de março de 2009

Mahler - Sinfonia n.º 4

Gustav Mahler
Sinfonia 4 em Sol maior


Hoje faço uma postagem um tanto diferente. A Sinfonia 4 em Sol maior, de Gustav Mahler. Mas vocês me perguntam: “o que há de diferente nisso?!”. E eu respondo: “uma pintura para cada movimento da sinfonia.” Num momento de inspiração artístico-musical, peguei fotos que eu tenho de obras de arte tumular do Cemitério da Consolação e executei pinturas singelas em guache sobre canson. O resultado é o que posto aqui hoje, juntamente com a Sinfonia, obviamente, para análise e contemplação do resultado.


A quarta sinfonia de Mahler foi composta entre 1893 e 1896, mas estreou somente em 1901. Curiosamente, a obra começou a ser escrita pelo quarto movimento, originalmente concebido como passagens na terceira sinfonia. Mahler, entretanto optou por escrever uma nova sinfonia tomando por base essa composição, acrescentando-lhe as três partes iniciais.


Sinfonia 4, Primeiro Movimento, Mahler

O primeiro movimento é absolutamente clássico na forma, com suas três seções principais (exposição, desenvolvimento e recapitulação) claramente delimitadas. Até mesmo a escolha das tonalidades em que são expostos os dois temas principais (tônica e dominante, respectivamente) é rigorosamente formal, tal como numa sinfonia de Haydn. Chama a atenção, entretanto, a figura inicial dos guizos (instrumentos tradicionalmente atrelados a cavalos), que parece convidar o ouvinte para uma longa viagem. De fato, esses mesmos guizos aparecerão novamente no quarto movimento, onde se conhecerá o destino da viagem. Uma breve prévia de temas da Sinfonia 5 em Do sustenido menor se desenha, apresentando sugestões que serão melhor trabalhadas nessa sinfonia alguns anos depois. A pintura que executei inspirada nesse movimento foi um anjo sentado sobre um globo, onde ele observa algo no céu cima dele. A exploração de algo que ainda não sabemos, de uma viagem pelo desconhecido. A trombeta em seu colo repousa, marcando que algo certamente será anunciado.


Sinfonia 4, Segundo Movimento, Mahler

Também o segundo movimento tem forma clássica – um scherzo com dois trios. A inspiração aqui é uma pintura de Arnold Böcklin, intitulada “Freund Hein spielt auf” (O amigo Hein toca). O tal amigo Hein, esclareça-se, é uma representação alegórica da morte, que traz um inocente violino no lugar da foice. Com fina ironia, Mahler aqui escreve um solo de violino em scordatura (quando as cordas do violino são afinadas de maneira especial) que soa propositadamente estridente. Nos dois trios, o tom sarcástico do scherzo cede lugar ao ländler – danças folclóricas alemãs que lembram o antigo minueto. A pintura que executei é clara: a morte e seu violino, ao invés da foice. Sua forma lânguida, seus cabelos brancos e pele claríssima a tornam uma figura incomum, mas previamente reconhecível. Diferente do conceito de morte que nos é passado no decorrer da vida. Devo ressaltar, que Mahler não somente enchergava a morte de forma pesarosa e de perda, mas também a via de forma gloriosa, à qual deveremos chegar triunfantes e merecedore de sua graça. Quem desse violino a melodia ouvir, flanará com o que se decorre após.


Sinfonia 4, Terceiro Movimento, Mahler

O terceiro movimento, lento e melancólico, tem a placidez de uma lápide. O tema principal, inicialmente apresentado pelos violoncelos, passa por diversas variações em que o ritmo vai se intensificando. Este tema é às vezes intercalado por outro em que se cria no ouvinte uma expectativa frustrada: quando se espera o clímax, sobrevém na verdade o colapso de toda música. Esta atitude é muito comum na obra de Mahler. Pouco antes do final deste movimento, entretanto, aparece um exuberante clímax verdadeiramente mahleriano, na tonalidade de mi maior, justamente aquela em que se encerrará a sinfonia. A pintura aqui nos passa algo de total perda e tristeza. Como uma lápide, a imagem esguia apenas lamenta, sem lágrimas. Parafraseando uma passagem famosa de Drummond, "A vontade de chorar é tanta, que perplexa ela se cala."


Sinfonia 4, Quarto Movimento, Mahler
Das Himmlisches Leben


O quarto movimento é o ponto focal da sinfonia. Aqui aparece a soprano solista, cantando “Das himmlische Leben” (A Vida no Paraíso) – poema popular alemão, de autoria desconhecida, parte do ciclo “Des Knaben Wunderhorn” (O Garoto e sua Trompa Mágica), utilizado por Mahler em várias composições. “Das himmlisches Leben” é o canto de uma criança que morreu e nos descreve o paraíso, com suas comidas deliciosas e abundantes, seus personagens e afazeres, sua música perfeita. As estrofes são intercaladas por breves interlúdios orquestrais, onde se sobressai o guizo do primeiro movimento. Nas duas primeiras estrofes a música vai se esvanecendo, terminando em total placidez nas notas mais graves da harpa e do contrabaixo. Na pintura desse anjo que executei, passo o ritmo da melodia serena deste quarto movimento da sinfonia. Como se quem canta é ele, ou quem nos traz a melodia no ar é ele. A mão segura algo. O que?! Uma áurea de mistério. O que nos anuncia? A letra da música nos dira, mas muito suscintamente. Uma prévia do que Mahler acredita encontraremos.

Excertos de texto do Maestro Flavio Florence, titular da Orquestra Sinfônica de Santo André de 1988 até 2008, quando faleceu. Discussão e montagem por Felipe de Moraes.


Gustav Mahler, em foto de 1909

As sinfonias de Mahler costumam ser divididas em três períodos. E cada período faz com que as obras se relacionem entre si, tornando a produção artística de Mahler um universo único e constante que merece ser compreendido em sua totalidade.

As sinfonias do Primeiro Período são conhecidas como Sinfonias Wunderhorn, e abrangem as sinfonias 2, 3 e 4. Elas têm esse nome porque têm vínculos com as canções feitas por Mahler do ciclo de poemas conhecido como
Das Knaben Wunderhorn, já mencionados acima. Pode-se dizer que elas representam a busca de Mahler por uma fé firme e ao mesmo tempo uma busca para suas respostas acerca da existência.

A Sinfonia 1 usa elementos das canções do ciclo de poemas
Lieder Eines Fahrenden Gesellen (Canções de um Viajante Errante) e Das Klagend Lied (A Canção do Lamento). É puramente instrumental e também tem certa relação com Das Knabem Wunderhorn, ainda que de maneira mais indireta.

As sinfonias do Segundo Período, a 5, a 6 e a 7, costumam ser chamadas de Sinfonias Rückert. Elas têm esse nome porque a composição delas foi influenciada pelas canções que Mahler compôs sobre os poemas de Friedrich Rückert (1788-1866). Elas são puramente instrumentais e as mais trágicas do ciclo sinfônico.

O Último Período não tem nome e abrange as últimas obras do artista: as sinfonias 8, 9 e a inacabada 10, além da sinfonia canção
Das Lied von Der Erde (A Canção da Terra). A voz humana é usada em grande arte da Sinfonia 8, e ela costuma ser chamada às vezes de Sinfonia Coral.

As sinfonias 9 e 10 são instrumentais, e o poema sinfônico
Das Lied von Der Erde é cantado, ao redor do qual existe um certo mistério. A princípio era para ser a Sinfonia 9, mas por superstição, Mahler preferiu que fosse conhecida
como um poema sinfônico.

Abaixo, faço a postagem do pacote com a Sinfonia e um pequeno libreto com a letra do quarto movimento, como de costume. Mas infelizmente não tenho a partitura da Sinfonia 4, fico devendo e quando conseguir, farei novamente a postagem.

A interpretação que ouviremos é executada por Daniel Harding ao comando da Orquestra de Câmara Mahler, tendo como soprano solista Dorothea Röschmann, no quarto movimento. Gravação realizada nos dias 27 e 28 de janeiro de 2004, no Auditório G. Agnelli, no Centro Congressi Lingotto, em Turim, Itália.

Gosto muito dessa interpretação, ela explora profundamente a dinâmica, indo do extremo pianíssimo ao extremo fortíssimo. O colorido orquestral dos instrumentos é muito bem calculado e equilibrado. Uma referência para a interpretação dessa obra. Dorothea Röschmann não menos esbanja elegância, charme e intensidade interpretativa.

Mahler regendo

Download Aqui
Gustav Mahler (1860-1911)
Sinfonia n.º 4 em Sol maior
I – Bedächtig. Nicht eilen – Recht gemächlich
II – In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
III – Ruhevoll
IV – Sehr behaglich

Dorothea Röschmann,
soprano
Daniel Harding,
regência
Orquestra de Câmara Mahler


Das himmlisches Leben

Wir genießen die himmlischen Freuden,
d’rum tun wir das Irdische meiden.
Kein weltlich Getümmel
hört man nicht in Himmel!
Lebt alles in sanftester Ruh!

Wir führen ein englisches Leben!
Sind dennoch ganz lustig daneben!
Wir tanze und springen,
wir hümpfen und singen!
Sankt Peter im Himmel sieht zu!

Johannes das Lämmlein auslasset,
der Metzger Herodes drauf passet!
Wir führen ein geduldig’s,
unschuldig’s, geduldig’s,
ein lieblisches Lämmlein zu Tod!

Sankt Lukas den Ochsen tät schlachten
ohn’ einig’s Bedenken und Achten;
der Wein kost’kein Heller
im himmlischen Keller;
die Englein, die backen das Brot.
Gut’ Kräuter von allerhand Arten,
die wachen im himmlischen Garten!

Gut’ Spargel, Fisolen
und was wir nur wollen!
Ganze Schüsseln voll sin duns bereit!
Gut’ Äpfel, gut’ Birn’ und gut’ Trauben,
die Gärtner, die alles erlauben!
Willst Rehbock, willst Hasen?
Auf offener Straßen
sie laufen herbei!

Sollt ein Fasttag etwa kommen,
alle Fische gleich mit Freude angeschwommen !
Dort läuft schon Sankt Peter
mit Netz und mit Köder
zum himmlischen Weiher hinein.
Sankt Martha die Köchin muss sein!

Kein Musik ist ja nicht ayf Erden,
die unsrer verglichen kann warden.
Elftausend Jungfrauen
zu tanze sich trauen!
Sankt Ursula selbst dazu lacht!

Cäcelia mit ihren Verwandten
sind treffliche Hofmusikanten!
Die englischen Stimmen
ermuntern die Sinnen,
dass alles für Freuden erwacht.


A Vida no Paraíso

Nos divertimos com os deleites do Paraíso,
então evitamos todas as coisas terrestres.
Nenhum clamor mundano
é ouvido no Paraíso
Tudo vive na mais gentil paz!

Levamos uma vida angelical!
Mas somos completamente alegres!
Dançamos e saltamos,
saltitamos e cantamos!
São Pedro no Paraíso observa!

João deixa o pequeno cordeiro livre,
o açougueiro Herodes o vigia!
Conduzimos docilmente,
inocente, docilmente,
doce pequeno cordeiro à sua morte!

São Lucas o boi abate
sem sequer um pensamento ou cuidado;
o vinho custa nem um centavo
na adega do Paraíso;
os anjos, eles que assam o pão.
Finas ervas de variados tipos,
crescem no Jardim do Paraíso!

Requintados aspargos, feijões
e qualquer coisa que queiramos!
Pratos inteiros são para nós preparados!
Boas maçãs, boas peras e boas uvas,
os jardineiros, nos permitem tê-las todas!
Quer carne de veado ou de lebre?
Nas largas alamedas
eles correm livres!

Se o dia de jejum se aproxima,
todos os peixes vêm alegremente nadando!
Correndo vem São Pedro
com sua rede e suas iscas
dentro da lagoa divina.
Santa Marta deve ser a cozinheira!

Não há música na Terra
que possa ser comparada com a nossa.
Onze mil virgens
se lançam à dança!
Santa Úrsula, entretanto, ri!

Cecília e seus parentes
são excelentes músicos de corte!
As angelicais vozes
deleitam os sentidos,
para que todos acordem para a alegria.


Felipe de Moraes
14 de março de 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

Rachmaninoff - Concerto para Piano n.º 3

Sergei Vasilievich Rachmaninoff
Concerto para Piano n.º 3 em Re menor, Op. 30

Hoje estou inspirado. Todos os meus sentidos se afloram diante deste maravilhoso concerto para piano e orquestra que ouço inúmeras vezes sem me enjoar ou alterar minha postura diante de uma obra de tamanha magnitude. Rachmaninoff é o extremo Romântico, o tardio, o saudosista e extremamente intenso e melancólico. Não deixando a escola Romântica nem entrando na Moderna, Rachmaninoff faz uma ponte entre elas. Muitos elementos de sua música são Românticos, mas muitos são vanguardistas do Modernismo.

Inúmeros problemas pessoais na vida de Rachmaninoff, principalmente depressão, exílio e melancolia, tornam sua música intensa, fortíssima e extremamente tocante. Dotada de complexidade e técnica, são peças que certamente devem constar no patrimônio Universal por todo sempre.

Hoje, dado esse meu sentimento melancólico e de profunda admiração causados pelo Terceiro Concerto para Piano de Rachmaninoff, venho postá-lo e comentá-lo para vocês. E como não menos poderiam esperar de mim, posto também os arquivos dos movimentos em MP3 e a partitura do concerto inteiro, com um pequeno libreto, disponível para download pelo Rapidshare.

O Concerto para Piano e Orquestra n.º 3 em Re menor Op.30 de Rachmaninoff é famoso por suas exigências técnicas e musicais referentes ao intérprete. Este concerto tem a reputação de ser um dos mais difíceis concertos no repertório pianístico, sendo assim o favorito entre muitos pianistas virtuosos. Entretanto, o próprio Rachmaninoff citou sentir o Terceiro Concerto "f
luir mais facilmente nos dedos" do que o Segundo. As interpretações definitivas e que tomo como referência deste Terceiro Concerto foram executadas por Vladimir Horowitz, o qual o próprio compositor elogiou o domínio com o qual Horowitz executava a peça – "ele a engoliu inteira!", observou Rachmaninoff. E uma versão mais contemporânea executada por Vladimir Ashkenazy, a qual posto a gravação aqui, com a Orquestra Sinfônica de Londres sob a regência de Andre Previn.










Vladimir Ashkenazy e Andre Previn

Sem mais delongas, já posto o link abaixo, relembrando que o pacote vem com os três movimentos em formato MP3, a partitura em formato PDF e um libreto. Devo mencionar que como ainda utilizo o Rapidshare gratuitamente, o Pacote está disponível para 10 downloads. Se por ventura esses downloads se esgotarem, me enviem um comentário com e-mail de contato para o post que subo os arquivos novamente. A gravação é realizada por Vladimir Ashkenazy, com a Orquestra Sinfônica de Londres sob a regência de Andre Previn.

O Concerto











Download Aqui
Sergei Vasilievich Rachmaninoff
Concerto para Piano e Orquestra n.º3 em Re menor, Op.30
I - Allegro ma non troppo
II - Intermezzo: Adagio
III - Finale: Alla breve
Piano: Vladimir Ashkenazy
Regência: Andre Previn
London Symphony Orchestra


Seguindo a estrutura clássica de um concerto, a peça se apresenta em três movimentos.

O primeiro movimento, Allegro ma non troppo, desenvolvido na tonalidade de Re menor, inicia com uma melodia diatônica, que logo penetra em uma complexa figuração pianística. Esse movimento atinge numerosos ápices de intensidade e furor romântico, especialmente na cadência, que é minha passagem predileta deste concerto. Nessa passagem, o concerto introspecta-se apenas nas sonoridades do piano, delineando-se entre o pianíssimo e o fortíssimo extremos, onde o piano vibra, clama, chora. Um variação do tema é brilhantemente redefinida em moldes solo. O primeiro tema em sua forma pura reaparece apenas antes da coda. Rachmaninoff escreveu duas versões para a cadência desse concerto: uma primeira dramática e intensa, a original, comumente anotada como
ossia. E uma segunda mais leve, em estilo de toccata.

O segundo movimento, Intermezzo: Adagio, tem sua projeção na escalas de Fa sustenido menor e em Re bemol maior. Este movimento abre apenas com a orquestra e consiste de um número de variações sobre uma passional, extremamente romântica e simples melodia, sem seguir qualquer esquema rígido de construção. A melodia logo transita para a distante tonalidade de Re bemol maior, a qual nos introduz ao segundo tema. Após o desenvolvimento do primeiro tema e a recapitulação do segundo, a melodia principal do primeiro movimento reaparece, antes que o movimento seja encerrado pela orquestra de uma maneira similar à da introdução. Então o piano ganha a última palavra em uma curta passagem “cadenza-esque” a qual fará a transição para o último movimento, sem parada. Muitos pensamentos melódicos deste movimento aludem ao terceiro movimento do Concerto para Piano n.º 2 em Do menor, notoriamente ao gosto russo.

O terceiro movimento, Finale: Alla breve se desenvolve nas escalas de Re menor e Re maior. É rápido e vigoroso e contém muitos dos temas apresentados e utilizados no primeiro movimento, o que resulta assim na união da totalidade do concerto, ciclicamente. Entretanto, após o primeiro e segundo temas, o movimento diverge para a forma regular de sonata. Mas não há desenvolvimento convencional; este segmento é substituído por uma longa digressão que se utiliza da tonalidade maior na escala de Re do primeiro tema deste mesmo movimento, o que então o liga a dois temas do primeiro movimento. Após a digressão, a recapitulação retorna aos temas originais, construindo assim um ápice em forma de toccata bastante similares porém mais leves que a cadencia ossia do primeiro movimento. O último movimento é concluído com um triunfal e apaixonado segundo tema, em Re maior. A peça termina com as mesmas quatro notas rítmicas, aclamada por alguns como a assinatura musical de Rachmaninoff.

Na época, Rachmaninoff autorizou diversos cortes na partitura, para ser executada uma interpretação mais discreta. Estes cortes, particularmente no segundo movimento, eram comumente retirados das interpretações e gravações durante as décadas iniciais do século XX, considerando cada publicação. Mais recentemente, tornou-se usual interpretar o concerto sem os cortes. Uma interpretação típica do concerto completo demanda aproximadamente quarenta minutos.

História

Escrito no tranqüilo estado russo de Ivanovka, de onde era sua família, Rachmaninoff concluiu o concerto em 23 de setembro de 1909.






















O concerto é respeitado, em alguns casos temido por muitos pianistas. Józef Hofmann, o pianista a quem Rachmaninoff dedicou este concerto, nunca o executou publicamente, alegando que este “
não era para” ele. E Gary Graffman lamentou não ter aprendido este concerto como estudante, quando ele era “ainda tão jovem a ponto de não conhecer o medo”.

Devido ao limitado tempo, Rachmaninoff não pôde praticar o concerto enquanto esteve na Rússia. Assim, ele o praticou em um silencioso teclado que levou consigo no navio para os Estados Unidos.

O concerto teve sua primeira audição em 28 de novembro de 1909, pelas mãos do próprio Rachmaninoff, com a já extinta Sociedade Sinfônica de Nova York sob a regência de Walter Damrosch, no New Theater (mais tarde rebatizado de Century Theater). Este concerto recebeu uma segunda interpretação sob a responsabilidade de Gustav Mahler algumas semanas mais tarde, o qual Mahler definiu como uma “
experiência ao estimado Rachmaninoff”. O manuscrito teve sua primeira publicação em 1910 pela editora Gutheil.


Sergei Vasilievich Rachmaninoff

Em Russo,
Сергей Васильевич Рахманинов, nasce a primeiro de abril de 1873, e falece a 28 de março de 1943. Foi compositor, pianista e maestro russo, o último dos grandes expoentes do estilo Romântico na música européia. Sergei Vasilievich Rachmaninoff foi como o próprio compositor grafou seu nome quando viveu no ocidente, durante a segunda metade de sua vida.

Rachmaninoff é um dos pianistas mais influentes do século XX. Seus trejeitos técnicos e rítmicos são lendários, e suas mãos largas eram capazes de cobrir um intervalo de uma 13ª no teclado do piano (um palmo esticado de cerca de 30 centímetros), dado que o tamanho de sua mão correspondia à sua estatura, perto de 1,98m. Ele também possuía a habilidade de executar composições complexas à primeira audição. Muitas gravações foram feitas pela Victor Talking Machine Company, com o próprio Rachmaninoff executando composições próprias ou de repertórios populares.


Sua reputação como compositor, por outro lado, tem gerado controvérsia desde sua morte. A edição de 1954 do Dicionário Grove de Música e Músicos notoriamente desprezou sua música como "
monótona em textura... consistindo principalmente de melodias artificiais e feias" e previu seu sucesso como "não duradouro". A isto, Harold C. Schonberg em seu livro Vidas dos Grandes Compositores, respondeu, "é uma das colocações mais vergonhosamente esnobes e mesmo estúpidas a ser encontrada num trabalho que se propõe a ser uma referência objetiva". De fato, não apenas os trabalhos de Rachmaninoff tornaram-se parte do repertório padrão, mas sua popularidade tanto entre músicos quanto entre ouvintes vem, no mínimo, crescendo durante a segunda metade do Século XX, com algumas de suas sinfonias e trabalhos orquestrais, canções e músicas de coral sendo reconhecidas como obras-primas ao lado dos trabalhos para piano, mais populares.

A maioria de suas peças é carregada de melancolia, um estilo romântico tardio que remete ao estilo de Tchaikovsky.

Vida

Rachmaninoff nasceu em Semyonovo, perto de Novgorod, no noroeste da Rússia, em uma família nobre, descendente dos tártaros, que esteve a serviço dos czares russos desde o Século XVI. Seus pais foram pianistas amadores, e ele teve suas primeiras lições de piano com sua mãe. Por causa de problemas financeiros, a família se mudou para São Petersburgo, onde Rachmaninoff estudou no Conservatório da cidade antes de ir para Moscou. Deve-se observar que, no início, Rachmaninoff era considerado preguiçoso, faltando muito às aulas para ir patinar. Foi o rigoroso regime da casa de Zverev (que hospedou vários músicos jovens) que o disciplinou.






















Ainda jovem começou a mostrar grande habilidade em suas composições. Enquanto estudante, escreveu uma ópera em um ato, Aleko, o que lhe rendeu uma medalha de ouro em composição. Somando-se seu primeiro concerto para piano, um conjunto de peças para piano, incluindo o popular e famoso Prelúdio em Dó Sustenido Menor, sobre o qual o compositor ficou confuso com a fascinação do público, dado que tinha apenas 19 anos. Ele muitas vezes importunou pessoas da platéia perguntando "Oh, isto é mesmo necessário?” ou dizendo simplesmente não se lembrar dessa peça. Rachmaninoff confidenciou a Zverev seu desejo de compor mais, pedindo uma sala privativa onde ele poderia compor em tranqüilidade, mas Zverev via nele apenas um pianista e estreitou suas relações com o garoto. Após o sucesso de Aleko, entretanto, Zverev o aceitou novamente como compositor e pianista. Na verdade, suas primeiras peças sérias para piano foram compostas e executadas ainda como estudante, aos treze anos, durante sua residência com Zverev. Em 1892, aos dezenove anos, ele completou seu Concerto para Piano No. 1 Op. 1, de 1891, o qual revisou em 1917.

Rachmaninoff fez suas primeiras apresentações nos Estados Unidos como pianista em 1909, um evento para o qual ele compôs o Concerto para Piano No. 3 Op. 30, de 1909. Estas apresentações bem-sucedidas fizeram dele uma figura popular na América.

Nota: A melodia de abertura do Concerto para Piano No. 3 não é derivada de cânticos ortodoxos, um conceito errôneo que muitos músicos têm em mente. O próprio Rachmaninoff, quando perguntado, disse que ele mesmo a havia escrito.

Na medida em que Rachmaninoff constatava cada vez mais a certeza de não regressar mais à sua terra natal, foi sendo tomado por uma melancolia profunda. Muitas pessoas que chegaram a conhecê-lo somente nesta época o descreveram como o homem mais triste que eles já haviam visto. Numa entrevista em 1961, o maestro Ormandy declarou:

Rachmaninoff foi, na realidade, duas pessoas. Ele odiava sua própria música e estava geralmente infeliz ao executá-la ou conduzi-la para o público, então é este lado triste que o público conhece. Entretanto, entre seus amigos mais próximos, ele tinha um senso de humor muito bom e tinha um bom espírito.

Morte















Rachmaninoff morreu ouvindo música, em 28 de março de 1943, em Beverly Hills, na Califórnia, apenas alguns dias antes de seu aniversário de 70 anos, e foi enterrado em 1 de junho no cemitério de Kensico, em Valhalla. Nas horas finais de sua vida, ele insistia que podia ouvir música tocando em algum lugar por perto. Após ser repetidamente assegurado de que não era o caso, ele declarou: "
então a música está na minha cabeça".


Felipe de Moraes
01 de março de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Bach e a Criação do Universo


Hoje vim para o trabalho ouvindo a magnífica Cantata BWV207a de Bach (a qual ainda pretendo postar aqui no blog), e, como sempre, me vieram infinitos pensamentos filosóficos à mente. Um deles é:
Se quiser contemplar todo o mistério das criações de Deus, contemple a música de Bach. Bach é um entre os mais dignos representantes de Deus que já passou pela face da Terra.

Bach não somente compõe música, mas também lapida estrelas e organiza constelações que brilharão para todo o sempre.

A música de Bach é transcendental. Explica toda a existência do Universo, sua criação, sua força expansiva, a força que o move. O equilíbrio das notas, sonoridades, intensidades e expressividade e comparável com a simetria que o Universo tinha em seu princípio. Sua vibração é a mesma vibração de uma nova vida no ventre materno. A essência de toda criação, da criação da música como expressão, da criação de uma força trascendental presente entre nós. A música de Bach nos faz entrar em contato direto com essa força, sem escalas ou interferências, sem precedentes em qualquer outra situação.


Johann Sebastian Bach

Bach eleva nossos olhos à Deus, e a Glorificação à esse que sua música passa, é de total concordância e merecimento. É capaz de fazer o mais cético ateu a aceitar essa força geradora como único caminho para tudo.


O segundo pensamento, que percebo a cada dia mais, é que a
música é minha forma de salvação, o caminho para a salvação de minha alma.

São duas forças intrínsecas: minha vida, e as melodias que me transportam para junto de Deus. Ninguém conhece a força e os mistérios de Deus tão bem como aqueles que penetram na música e em seus mistérios, que transformam sons em melodias, moldando áureas de sonoridades e vibração. Só conhecemos os mistérios de Deus os vivenciando. A música permite isso. Reflexão, compenetração, estudo de si mesmo e de sua própria alma, e de como esse poder oculto e ao mesmo tempo escancaradamente presente, nos leva a crer em uma força estupendamente maior e em caminhos traçados e guiados por essa força.

Num estranho momento, tive a luz que precisava. Achava que a música era ligada a Deus. Errei completamente. A música é o próprio Deus. E Deus é a música dispersa no ar, o silêncio em movimento. Assim como o Universo, das galáxias e estrelas ao ínfimo núcleo de um elétron. Assim como o homem. Não somos imagens e semelhança de Deus. Somos a própria expressão Dele.


Felipe de Moraes
03 de fevereiro de 2009

domingo, 1 de fevereiro de 2009

J. S. Bach - Cantata BWV 35


Como minha primeira portagem no segmento música, escolhi esta maravilhosa e encantadora obra de Johann Sebastian Bach. Trata-se de uma cantata para o Décimo Segundo Domingo pós Trindade, na liturgia luterana. Como sou extremamente sistemático e detalhista, faço a postagem da gravação, do libreto e das partituras (uma como foi originalmente escrita, e outra com redução para piano e voz). O download é disponível pelo Rapidshare.

"A voz do Espírito Santo? De acordo com a tradicional teologia Alemã, a qual Bach conhecia em profundidade, o registro de voz Alto é o que melhor representa o Espírito Santo. Esta cantata solo não contradiz a regra, embora não saibamos com exatidão para qual registro vocal Bach a escreveu: não é nem uma mulher nem um castrato, então só pode ser para um falsetto ou um garoto extremamente treinado. Este trabalho demanda uma enorma virtuosidade vocal. Sua extraordinária variedade vocal é como consolatórios e sublimes abraços de ninar, traços fiéis de um eco de um concerto para órgão (BWV 170), e todas as qualidades dramáticas de um oratório."
(Harmonia Mundi)

J.S. Bach - Cantates pour alto

O registro que publico aqui faz parte de um álbum da gravadora Harmonia Mundi, com interpretação a cargo do Collegium Vocale, de Philippe Herreweghe. Desta vez, ele tem a presença ilustríssima de Andreas Scholl, o maior contra-tenor da atualidade. E é exatamente uma cantata para esse raríssimo registro vocal. Alguns regentes, entre eles Helmuth Rilling e Tom Koopman deixaram a interpretação destas cantatas à cargo de uma contralto, enqüanto outros, como é o caso de Harnoncourt e de Herreweghe, se utilizam desse registro masculino.

A voz de Andreas Scholl é de uma beleza única e raríssima, diria até um dom e tom divinos. Creio ser uma excelente postagem como minha primeira publicação na área musical.

Andreas Scholl

As interpretações de Herreweghe são sempre claras e com uma leitura extremamente límpida. Tudo é muito equilibrado e muito bem ouvido. Em minha opinião, é o melhor intérprete das obras orquestrais de Bach, tanto em quesitos de seleção de instrumentistas quanto em técnicas interpretativas, que abrangem dinâmica muito bem trabalhada, sonoridades extremamente equilibradas e seleção de instrumentos e organização sonora que são fidelíssimas ao que se ouvia no Barroco.

Abaixo, segue o libreto original em alemão, e seguinte a esta, a tradução poética que fiz para o português. O interessante é, certamente, tentar compreender no idioma em que foi composta. Dado que o idioma germânico possui uma filosofia diferente do idioma português, assim como cada idioma possui sua individualidade poética e filosófica.

Trata-se de uma cantata dividida em duas partes. A primeira parte, abre com uma sinfonia com órgão obligato solista. É um arranjo do primeito movimento do concerto para órgão BWV 170, e que posteriormente Bach fará outro arranjo para o seu Concerto para Oboe em Re menor BWV 1059. Segue-se uma ária, onde o solista canta que sua alma e espíritos estão perdidamente absortos pelas maravilhas de Deus. Após, um recitativo, que exprime a sublimação do solista em ver todas as maravilhas e milagres de Deus. A segunda ária canta leve e docemente o bem que Deus faz, e que ele sempre nos dá consolo quando somos assolados. A ária é sublime, uma de minhas preferidas. Tem uma simplicidade e ao mesmo tempo uma complexidade raras. O solista pode brincar com as notas e a interpretação quase que livremente.
A segunda parte inicia-se também com uma sinfonia. O terceiro movimento do mesmo concerto para órgão, e de seu mesmo concerto para oboé. Segue-se um recitativo onde o solista canta à Deus por seu toque divino em sua vida, seguido da ária que igualmente canta o desejo de tão breve se encontrar com seu Criador.

Sem mais melongas... Deleitem-se, e tenham ótimas degustações dessa jóia rara da música, em termos composicionais e interpretativos.

Abaixo segue o link para download dos arquivos. Como ainda utilizo o Rapidshare gratuitamente,
o Pacote está disponível para 10 downloads. Se por ventura esses downloads se esgotarem, me enviem um comentário com e-mail de contato para o post que subo os arquivos novamente.

Download AQUI - J.S. Bach, Cantata BWV 35

Johann Sebastian Bach
Cantata BWV 35
"Geist und Seele wird verwirret"

Primeira Parte
1. Concerto
2. Aria; Geist und Seele wird verwirret
3. Rec; Ich wundre mich
4. Aria; Gott hat alles wohlgemacht!
Segunda Parte
5. Sinfonia
6. Rec; Ach, starker Gott, lass mich
7. Aria; Ich wünsche nur bei Gott zu leben

Collegium Vocale
Direção, Phillipe Herreweghe
Alto, Andreas Scholl



Deutsche

Erstes Teil

1. Sinfonia
Oboe I/II, Taille, Violino I/II, Viola, Organo obligato, Continuo

2. Aria [Alto]
Oboe I/II, Taille, Violino I/II, Viola, Organo obligato, Continuo

Geist und Seele wird verwirret,
Wenn sie dich, mein Gott, betracht.
Denn die Wunder, so sie kennet
Und das Volk mit Jauchzen nennet,
Hat sie taub und stumm gemacht.

3. Recitative [Alto]
Continuo

Ich wundre mich;
Denn alles, was man sieht,
Muss uns Verwundrung geben.
Betracht ich dich,
Du teurer Gottessohn,
So flieht
Vernunft und auch Verstand davon.
Du machst es eben,
Dass sonst ein Wunderwerk vor dir was Schlechtes ist.
Du bist
Dem Namen, Tun und Amte nach erst wunderreich,
Dir ist kein Wunderding auf dieser Erde gleich.
Den Tauben gibst du das Gehör,
Den Stummen ihre Sprache wieder,
Ja, was noch mehr,
Du öffnest auf ein Wort die blinden Augenlider.
Dies, dies sind Wunderwerke,
Und ihre Stärke
Ist auch der Engel Chor nicht mächtig auszusprechen.

4. Aria [Alto]
Organo obligato, Continuo

Gott hat alles wohlgemacht.
Seine Liebe, seine Treu
Wird uns alle Tage neu.
Wenn uns Angst und Kummer drücket,
Hat er reichen Trost geschicket,
Weil er täglich für uns wacht.
Gott hat alles wohlgemacht.


Zweites Teil

5. Sinfonia
Oboe I/II, Taille, Violino I/II, Viola, Organo obligato, Continuo

6. Recitative [Alto]
Continuo

Ach, starker Gott, lass mich
Doch dieses stets bedenken,
So kann ich dich
Vergnügt in meine Seele senken.
Laß mir dein süßes Hephata
Das ganz verstockte Herz erweichen;
Ach! lege nur den Gnadenfinger in die Ohren,
Sonst bin ich gleich verloren.
Rühr auch das Zungenband
Mit deiner starken Hand,
Damit ich diese Wunderzeichen
In heilger Andacht preise
Und mich als Erb und Kind erweise.

7. Aria [Alto]
Oboe I/II, Taille, Violino I/II, Viola, Organo obligato, Continuo

Ich wünsche nur bei Gott zu leben,
Ach! wäre doch die Zeit schon da,
Ein fröhliches Halleluja
Mit allen Engeln anzuheben.
Mein liebster Jesu, löse doch
Das jammerreiche Schmerzensjoch
Und lass mich bald in deinen Händen
Mein martervolles Leben enden.

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Português

Primeira Parte

1. Sinfonia
Oboe I/II, Taille, Violino I/II, Viola, Organo obligato, Continuo

2. Aria [Alto]
Oboe I/II, Taille, Violino I/II, Viola, Organo obligato, Continuo

Alma e espírito são jogados em confusão,
quando eles Te consideram, meu Deus.
Para os milagre que ambos são cientes
adicionam à conversa dos povos os brados de alegria
e fazem-se surdos e mudos para o mundo.

3. Recitative [Alto]
Continuo

Eu estou maravilhado,
por todas as coisas que vemos e que
devem nos causar admiração.
Se eu Considerar-Te,
Tu, amado filho de Deus
Então razão e entendimento alçarão vôo em mim,
Tu assim o causas
que o que, visto outrora como um milagre, é algo insignificante perante Tu.
Tú és em nome, em ações e trabalho proeminentemente maravilhoso,
Nenhuma maravilha nesta Terra é como Tu.
Ao surdo, Tu dás a audição,
Ao mudo Tu devolves o discurso,
Sim, certamente além disso,
Com uma palavra Tu abres as pálpebras dos cegos.
Estes sim, estes são Teus milagres
e o Teu poder
que nem mesmo o coro dos anjos pode suficientemente expressar.

4. Aria [Alto]
Organo obligato, Continuo

Deus tem feito tudo perfeitamente bem,
Seu amor, Sua fidelidade
são renovados a cada dia por nós.
Quando ansiedade e carência nos pressionam,
Ele nos envia rica consolação,
para que Ele dos altos nos assista dia após dia.
Deus tem feito tudo perfeitamente bem.


Segunda Parte

5. Sinfonia
Oboe I/II, Taille, Violino I/II, Viola, Organo obligato, Continuo

6. Recitative [Alto]
Continuo

Ah, poderoso Deus, permita-me
pensar em Ti continuamente
então poderei
em contentamento Tê-lo profundamente em minha alma
Permita que seu doce Hephata
amacie todo o meu tão duro coração;
Ah! Somente ponha Teu dedo de graça em meus ouvidos,
ou tão logo estarei perdido.
Toques igualmente minha língua
Com Tua onipotente mão,
então que eu possa engrandecer os sinais de maravilha
em religiosa devoção
E mostre-me que sou Teu herdeiro e filho.

7. Aria [Alto]
Oboe I/II, Taille, Violino I/II, Viola, Organo obligato, Continuo

Eu desejo viver somente com Deus,
Ah! como eu desejo que este tempo tão logo chegue,
para proclamar um aleluia jubiloso
com todos os anjos.
meu caríssimo Jesus, mantenha-me afastado das
garras do sofrimento, cheios de lamentação
e logo conceda que em Tuas mãos
minha vida preenchida de tormentos possa encerrar.


Felipe de Moraes
01 de fevereiro de 2009