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quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Vácuo Quântico

Simulação de Emaranhamento Quântico

Seguimos agora à última e conclusiva postagem acerca de minhas divagações quântico-filosóficas, o que dará fechamento a essa seqüência de textos e uma conclusão momentânea aos meus pensamentos. Digo momentânea, pois a qualquer hora posso abrir uma nova discussão acerca do assunto, seja através das artes, da música, da fotografia.

Mais vastos que o Universo são os pensamentos dos homens, e por isso nunca podemos deixar determinados assuntos morrerem, apenas descansarem para em seguida despertarem sob novas ótica e perspectiva.

Existe na física um conceito novo, que provou sua riqueza operatória: o do vácuo quântico. O vácuo absoluto, caracterizado por uma ausência total de matéria e de energia, não existe. Mesmo o vácuo que separa as galáxias não é totalmente vazio, contém alguns átomos isolados e diversos tipos de radiação Seja criado de forma natural ou artificial, o vácuo no estado puro não passa de uma abstração. Realmente, não se conseguirá eliminar um campo eletromagnético residual, que constitui o “fundo” do vácuo.



Raios Gama

O vácuo quântico é, assim, o teatro de um incessante balé de partículas que aparecem e desaparecem num tempo extremamente breve, inconcebível na escala humana.


À Esquerda: simulação da formação de estrelas caso a matéria escura fosse quente, com muitos astros sendo criados ao mesmo tempo. À direita, simulação com matéria fria: Poucas estrelas com muito espaço.


Tomemos um espaço vazio. A teoria quântica demonstra que se transferirmos para ele uma quantidade suficiente de energia, pode emergir matéria desse vazio. Por extensão, pode-se supor que na origem, imediatamente antes do big-bang, um fluxo de energia incomensurável foi transferida para o vácuo inicial, acarretando uma flutuação quântica primordial, de onde nasceria o nosso Universo.

Mas de onde vem essa colossal quantidade de energia? Por intuição, aquilo que se esconde por trás do “limite de Planck” é bem uma forma de energia primordial, de uma potência ilimitada. Antes da Criação reina uma duração infinita. Um Tempo Total, inesgotável, que ainda não foi aberto, dividido em passado, presente e futuro.

O oceano de energia inesgotável é o Criador. Se não podemos compreender o que se encontra atrás do limite, é porque todas as leis da física perdem o pé diante do mistério absoluto de Deus e da Criação.

Por que o Universo foi criado? O que levou o Criador a engendrar o Universo tal como o conhecemos? Antes do “tempo de Planck” alguma coisa aconteceu. O quê?! Não sei. Um suspiro de Nada. Talvez uma espécie de acidente do nada, uma flutuação do vácuo. Em um instante fantástico, o Criador, consciente de ser aquele que É na totalidade do nada, decide criar um espelho para sua própria existência. A Matéria, o Universo, a Vida, a Inteligência, as Emoções e Sentimentos... reflexos de sua consciência, ruptura definitiva com a bela harmonia do nada original. Deus, de certo modo, acaba de criar uma imagem e, mais que isso, uma expressão de si mesmo.

Foi assim que tudo começou? Talvez a ciência nunca vá dizê-lo diretamente. Mas, em seu silêncio, ela pode e deve servir de guia para as nossas intuições.


Felipe de Moraes
Concluído em 26 de março de 2009
Baseado nos pensamentos do livro
Deus e a Ciência,
Jean Guitton, Irmãos Bogdanov;
Editora Nova Fronteira

A Duração do que Chamamos de "Tempo"

Nebulosa Ampulheta

Simplesmente chamamos de “tempo” a unidade que utilizamos para medir o decorrer dos eventos. Einstein declarou certa vez: “O tempo existe para que todas as coisas não aconteçam de uma só vez.” Mas será que de fato existe mesmo? Por exemplo: as medidas de tempo e espaço que utilizamos, serviriam, por exemplo, em Júpiter, que é imensamente maior que a Terra, e seu curso em torno de si mesmo e do Sol são igualmente maiores? Ou imaginemos um pouco além: serviria em outra parte do universo, onde os eventos acontecem bem mais rapidamente ou bem mais lentamente, e a percepção de seres pensantes fosse desse “tempo” passando mais rápido ou mais lentamente?

Um dos pontos da física quântica é esse: a percepção da passagem do tempo é diferente em cada pessoa, em cada ser. Por exemplo, tomemos uma palestra que assistimos. Se o assunto é de nosso agrado, o tempo desaparece, passa rapidamente e não nos dá a chance de sequer notá-lo. Já quando o assunto não é de nosso interesse, ou não gostamos, o tempo parece esticar-se, dilatar... até mesmo tornar-se infinito. Por que isso acontece? Essas distorções em uma medida exata, não deveriam existir. Se existem, é porque não é uma medida exata, ou a nossa percepção sobre ela não tem nenhum efeito exato.

Mas para esmiuçarmos esse assunto, voltemos consideravelmente no tempo, e vejamos como os eventos se sucederam para abrir caminho para a divisão dos acontecimentos. A 10-32 segundo, há a primeira transição de fase de nosso universo. A força forte, que garante a coesão do núcleo atômico, destaca-se da força eletrofraca, que é resultante da fusão da força eletromagnética e da força de desintegração radioativa. Nessa época, o universo já cresceu em proporções fenomenais: mede então trezentos metros de um extremo ao outro. Seu interior é o reino das trevas e das temperaturas inconcebíveis.

Entre 10-11 e 10-5 segundo, intervém um acontecimento essencial: os quarks se associam, formando nêutrons e prótons, e a maioria das antipartículas desaparece para dar lugar às partículas do Universo atual.

Na décima milésima fração de segundo, num espaço que acaba de se ordenar, surgem as partículas elementares. O Universo continua a se dilatar e a resfriar. Aproximadamente duzentos segundos após o instante original, as partículas elementares reúnem-se para formar os isótopos dos núcleos de hidrogênio e de hélio.

Uma história com cerca de três minutos. A partir daí, as coisas caminham muito mais lentamente. Durante bilhões de anos, todo o Universo fica embebido em radiações e num plasma de gás turbulento. Por volta de cem bilhões de anos, as primeiras estrelas se formam em imensos turbilhões de gás. E no núcleo delas, os átomos de hidrogênio e hélio se fundem para dar origem aos elementos pesados que encontram caminho na Terra bem mais tarde.



Nos primórdios do Universo, o tempo parece esticar e dilatar-se até se tornar infinito. Isso nos conduz a uma essencial reflexão: Não seria o caso de ver nesse fenômeno uma interpretação científica da eternidade divina? Um Deus que não teve começo e que não conhecerá fim não está necessariamente fora do tempo, tal como tem sido descrito com demasiada freqüência: Ele é o próprio tempo, simultaneamente quantificável e infinito, um tempo em que um único segundo contém a eternidade inteira. Chega a ter uma dimensão simultaneamente absoluta e relativa do tempo: esta é uma condição indispensável à criação.

Efetivamente, os físicos não têm a menor idéia daquilo que poderia explicar o aparecimento do Universo. Podem retroceder a 10-43 segundo, mas não passam daí. Esbarram então no famoso “limite de Planck” . Além do “limite de Planck”, é o mistério total.

10-43 segundo. É o “tempo de Planck”, conforme a bela expressão dos físicos. É também o limite extremo dos nossos conhecimentos, o fim de nossa viagem às origens. Além dessa barreira esconde-se uma realidade inimaginável.

Segundo o físico John Wheeler: “Tudo o que conhecemos encontra sua origem num oceano infinito de energia que tem a aparência do nada.”

Segundo a teoria do campo quântico, o Universo físico observável é constituído de flutuações menores num imenso oceano de energia.


Felipe de Moraes
Concluído em 26 de março de 2009
Baseado nos pensamentos do livro
Deus e a Ciência,
Jean Guitton, Irmãos Bogdanov;
Editora Nova Fronteira

Interlúdio: Matéria Através da Energia / Limites e Fronteiras Calculáveis

Depois do texto Surgimento, Expansão e Tamanho do Universo, devo fazer uma postagem intermediária e esclarecedora de pontos que abordarei nos dois textos seguintes, e que delineará claramente minhas intenções com esses estudos científicos. Num primeiro texto, abordarei o surgimento da matéria através do “espírito”, o que prefiro conceituar como “energia”, e introduzir o conceito do Metarrealismo. No segundo texto desta postagem, abordarei os limites calculados pelo físico alemão Max Planck, o que será de suma importância nos textos que seguirão.


A Surgimento da Matéria através da Energia (ou Espírito)

Energia no Espaço

Chegou o momento de abrir novas vias através do saber profundo. O momento de buscar, para além das aparências mecanicistas da ciência, o traço quase metafísico de alguma coisa diferente, ao mesmo tempo próxima e estranha, poderosa e misteriosa, científica e inexplicável. Algo como Deus, talvez.

Observando mais de perto a história das idéias, veremos caminharem lado a lado, por vezes chocando-se duramente, duas correntes adversárias, dois campos conceituais opostos: o espiritualismo e o materialismo. Segundo o protocolo espiritualista, o real é uma idéia pura. Portanto, não tem, no sentido estrito, qualquer substrato material. Só podemos ter como garantia a existência de nossos pensamentos e de nossas percepções. A leitura materialista do real impõe uma posição rigorosamente inversa, onde o espírito, o âmbito do pensamento, não passa de epifenômeno da matéria, fora da qual nada existe.

Nota: Metarrealismo é o que apaga as fronteiras entre espírito e matéria.

Em dado momento da história do universo, a energia tornou-se matéria. Tomemos um espaço vazio, ou melhor, tomemos o conceito de vácuo puro, e inserimos nele energia suficiente para gerar matéria. Isto acarretará uma flutuação quântica, de onde nasceriam as primeiras partículas, os quarks se associam formando elétrons e prótons. A energia residual ao longo de suas flutuações de estado, no meio desse vácuo, pode converter-se em matéria. Então, literalmente, essas novas partículas surgirão exatamente do nada. A isso chamaremos de vácuo quântico, onde partículas se criam e se desintegram num tempo extremamente breve, inconcebível na escala humana.
Limites e Fronteiras Calculáveis


O primeiro ato de um pensamento metalógico, o mais decisivo, consistirá em admitir que existem limites físicos ao conhecimento. Uma rede de fronteiras progressivamente identificáveis, freqüentemente calculadas, fronteiras absolutamente inultrapassáveis que cercam a realidade. Um caso particular significativo de uma tal barreira física foi posto em evidência, em dezembro de 1900, pelo físico alemão Max Planck. Trata-se do “quantum de ação”, mais conhecido como “constante de Planck”. Extremamente pequena, seu valor é de 6,625 x 11-34 joule-segundo, o que representa a menor quantidade de energia existente em nosso mundo físico.


Detenhamo-nos um instante neste fato, ao mesmo tempo fonte de mistério e de deslumbramento: a menor ação mecânica concebível. Eis-nos face a uma barreira dimensional. A constante de Planck marca o limite da divisibilidade da radiação e, conseqüentemente, o limite extremo de toda divisibilidade.

A existência de um marco inferior no domínio da ação física introduz, naturalmente, outras fronteiras absolutas no Universo perceptível. Esbarraremos, entre outras coisas, num comprimento limite, chamado “comprimento de Planck”, que representa o menor intervalo possível entre dois objetos separados. Do mesmo modo, o “tempo de Planck” designa a menor unidade de tempo possível.

Isso nos coloca questões perturbadoras: por que existem essas fronteiras? Por que elas aparecem sob essa forma tão precisa e, mais ainda, calculável? Quem, ou o que, decidiu sobre sua existência e seu valor? E enfim: o que existe além?”

Nota: As descobertas mais recentes da nova física se encontram com a intuição metafísica. A realidade não é cognoscível. É velada e está destinada a permanecer assim.



Felipe de Moraes
Concluído em 26 de março de 2009
Baseado nos pensamentos do livro Deus e a Ciência
Jean Guitton, Irmãos Bogdanov
Editora Nova Fronteira

domingo, 29 de março de 2009

Surgimento, Expansão e Tamanho do Universo


Dando seqüência às postagens sobre minhas divagações quântico-filosóficas, posto mais um artigo relacionado a um texto anterior, A Chave de uma Fronteira. Devo lembrar que fiz essa divisão de temas para os textos ficarem mais claros e concisos. Sei que essa discussão parece divergente aos assuntos que proponho discutir aqui, mas eles fazem uma ponte extremamente firme ao que penso em relação ao mundo, às artes, ao espaço e ao Deus em que vivemos.

Nesta segunda postagem, trago a discussão acerca do surgimento, expansão e tamanho do universo. O big bang foi uma explosão tão rápida quanto imaginamos?! Sim, mas dadas as distorções de tempo, podemos esmiuçar cada detalhe das 43 partes que dividem o primeiro segundo após a explosão original. Antes desse primeiro segundo, a física perde os pés, pois nada de exato e calculável há.


A Teoria do Big Bang

Iniciemos nossos pensamentos seqüencialmente. Para calcular a expansão do universo, basta medirmos a velocidade de afastamento das galáxias, e assim deduzirmos o momento primordial em que elas se encontravam reunidas num certo ponto, aproximadamente como se víssemos um filme de trás para frente. Retrocedendo esse filme cósmico imagem por imagem, acabaremos por descobrir o momento exato em que o Universo inteiro tinha o tamanho de uma cabeça de alfinete. É nesse instante, imagino, que devemos situar os primórdios de sua história.

Os astrofísicos tomam como ponto de partida os primeiros bilionésimos de segundo que se seguiram à criação. Portanto, estamos a 10-43 segundo depois da explosão original. Nessa idade fantasticamente pequena, o Universo inteiro, com tudo o que irá conter mais tarde – as galáxias, os planetas, a Terra, suas árvores, a famosa chave do texto anterior – tudo isso está contido numa esfera inimaginavelmente pequena: 10-33 centímetro, ou seja, bilhões de bilhões de vezes menor que um núcleo atômico.

Nota: A título de comparação, o diâmetro de um núcleo é de apenas 10-13 centímetro.

A Origem
A densidade e a grandeza desse universo original atingem proporções que o espírito humano não pode apreender: uma temperatura absurda, de 1032 graus, ou seja, 1 seguido de 32 zeros. Estamos diante do “limite de temperatura”, uma fronteira de calor extremo, além da qual nossa física desmorona. Nessa temperatura, a energia do Universo nascente é monstruosa; quanto à “matéria” – se é que se pode dar um sentido a essa palavra – é constituída de uma sopa de partículas primitivas, antepassadas distantes dos quarks, partículas que interagem continuamente entre si. Não há ainda qualquer diferença entre essas partículas primárias, que interagem todas do mesmo modo. Nesse estágio, as quatro interações fundamentais (gravitação, força eletromagnética, força forte e força fraca) ainda estão indiferenciadas, confundidas numa só força universal.

Tudo isso num universo que é bilhões de vezes menor que uma cabeça de alfinete! Essa época é talvez a mais insólita de toda história cósmica. Os eventos se precipitam num ritmo alucinante, a tal ponto que nesses bilionésimos de segundo acontecem mais coisas que nos bilhões de anos que se seguirão.

Um pouco como se essa efervescência dos primórdios se assemelhasse a uma espécie de eternidade. Se seres conscientes tivessem podido viver esses primeiros tempos do cosmo, certamente teriam tido a impressão de que um tempo imensamente longo, quase eterno, separava cada evento.

Expansão

Por exemplo: um evento que percebemos hoje sob a forma de um flash fotográfico equivalia à duração de bilhões de anos, nesse universo nascente. Naquela época, a extrema densidade dos acontecimentos produz uma distorção da duração. Após o instante original da criação, bastam alguns bilionésimos de segundo para que o Universo entrasse numa fase extraordinária, que os físicos chamam de “era inflacionária”. Durante essa época fabulosamente breve, que se estende de 10-35 a 10-32 segundo, o Universo infla por um fator de 1050. Seu comprimento característico passa do tamanho de um núcleo atômico ao de uma maçã de dez centímetros de diâmetro. Essa expansão vertiginosa é bem maior de que aquela que virá depois: da era inflacionária até hoje. O Universo não aumentou mais que por um fator relativamente pequeno: 109, ou seja, apenas um bilhão de vezes.

Nota: Precisamos aqui apreender visualmente, por mais difícil que pareça, que o desvio da escala existente entre uma partícula elementar e uma maçã é proporcionalmente bem maior do que aquela que separa a dimensão de uma maçã e a dimensão do Universo observável.

Portanto, no colocamos diante de um Universo do tamanho de uma maçã. O relógio cósmico indica 10-32 segundo: a era inflacionária acaba de terminar. Nesse instante existe apenas uma partícula, à qual os astrofísicos deram o nome poético de “partícula X”. É a partícula original, aquela que precedeu todas as outras. Seu papel consiste simplesmente em veicular forças. Se alguém tivesse a possibilidade de observar o Universo nesse naquele momento, teria constatado que aquela “maçã” inicial era perfeitamente homogênea, isto é, não passava de um campo de forças que ainda não continha a mínima parcela de matéria.

A 10-31 segundo, alguma coisa acontece. As partículas X dão origem às primeiríssimas partículas de matéria: os quarks, os elétrons, os fótons, os neutrinos e suas antipartículas. Lancemos o olhar sobre esse Universo nascente: ele atinge agora o tamanho de uma bola grande. As partículas que existem nessa época dão origem a flutuações de densidade que desenham, aqui e ali, estrias, irregularidades de todos os tipos.

Devemos nossa existência a essas irregularidades. Pois essas estrias microscópicas se desenvolvem para gerar, bem mais tarde, as galáxias, as estrelas e os planetas. Em suma, em alguns bilionésimos de segundo a tapeçaria cósmica das origens gera tudo o que conhecemos hoje.

Felipe de Moraes
Concluído em 26 de março de 2009
Baseado nos pensamentos do livro Deus e a Ciência,
Jean Guitton, Irmãos Bogdanov; Editora Nova Fronteira

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Chave de uma Fronteira


Antes de iniciar este artigo, gostaria de fazer a primeira pergunta que me vem ao espírito, a mais obsedante e vertiginosa de toda pesquisa filosófica:
por que existe alguma coisa ao invés de nada?. Por que existe um Ser que nos separa do nada? Penso nessas coisa tão simples quanto respiro.

Objetos tão familiares podem conduzir-nos aos mais perturbadores enigmas. Por exemplo, uma chave de ferro, ali na maçaneta de sua porta, diante de você. Vamos imaginar a história dos átomos que a compõe. Até aonde precisaríamos retroceder?


Assim como qualquer objeto, essa chave tem uma história invisível, na qual nunca pensamos. Há uns cem anos ela estava escondida, sob a forma de minério bruto no seio de uma rocha. Antes de ser desenterrado, o bloco de ferro que deu origem à chave estava ali, prisioneiro da pedra cega, há bilhões de anos.

O metal de sua chave é mais antigo que a própria Terra, cuja idade é avaliada hoje em 4,5 bilhões de anos. Mas isso significa o fim de nossa pesquisa? Minha intuição é claríssima:
NÃO! É certamente possível retroceder ainda mais longe no passado para encontrar a origem da chave.

O ferro é o elemento mais estável do Universo. Podemos retroceder na viagem ao passado até a época em que a Terra e o Sol ainda não existiam. O metal desta chave já estava ali, flutuando no espaço interestelar, sob a forma de uma nuvem que continha quantidades de elementos pesados necessários à formação do nosso sistema solar.

Cedo aqui à curiosidade que fundamenta uma de minhas verdadeiras paixões: admitamos que, oito ou dez bilhões de anos antes de estar em minhas mãos, esta chave existisse sob a forma de átomos de ferro perdidos e dispersos numa nuvem de matéria nascente. De onde vinha então essa nuvem?


A resposta é bem simples: de uma estrela. Um sol que existia antes do nosso e que explodiu, há dez ou doze bilhões de anos. Nessa época, o Universo era essencialmente constituído de imensas nuvens de hidrogênio que se condensaram, se reaqueceram e acabaram por acender-se, formando as primeiras estrelas gigantes. Estas podem ser comparadas a gigantescos fornos destinados a fabricar os núcleos de elementos pesados necessários à ascensão da matéria em direção à complexidade. No fim de uma vida relativamente breve – apenas algumas dezenas de milhões de anos – ,essas estrelas gigantes explodem, projetando no espaço interestelar os materiais que servirão para fabricar outras estrelas menores, chamadas estrelas de segunda geração, assim como os planetas e os metais que eles contêm. Sua chave, assim como tudo o que se encontra em nosso planeta, é apenas o “resíduo” gerado pela explosão dessa antiga estrela.

Perceba: uma chave tão simples nos projeta no fogo das primeiras estrelas. Esse pequeno pedaço de metal contém toda história do universo, uma história que iniciou-se há bilhões de anos, antes da formação do sistema solar. Estranhos clarões me correm agora sobre esse pedaço ínfimo de metal, cuja existência depende de uma longa cadeia de causas e efeitos, que se estendem por uma duração impensável, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, do átomo às estrelas.

O serralheiro que fabricou esta chave não sabia que a matéria que martelava nasceu no turbilhão ardente de uma nuvem de hidrogênio primordial.

Mas minha sede de conhecimento me projeta para mais longe, de retroceder a um passado ainda mais remoto, bem anterior à formação das primeiras estrelas: pode-se ainda dizer algo sobre os átomos que formarão sua chave?

Desta vez, precisaremos retroceder, tanto quanto possível, até a origem do próprio Universo. Estamos num passado de quinze bilhões de anos. O que aconteceu nessa época? A física moderna diz que o universo nasceu de uma gigantesca explosão que provocou a expansão da matéria, expansão essa observável ainda nos dias de hoje. As galáxias, essas nuvens de estrelas, ainda afastam-se umas das outras sob o impulso dessa explosão original.

Tudo o que conhecemos como matéria, nasce do nada absoluto. Assim como o espaço e tempo observáveis, dados que são meras ilusões, assim como a realidade. Cairemos a partir daqui, em três novas discussões metafísicas, que entrarão profundamente no âmago da filosofia e da física moderna: a primeira discussão é acerca do surgimento, expansão e tamanho do universo. A segunda sobre a duração do “
tempo, e a terceira o que chamaremos de vácuo quântico, esta última com uma discussão bem mais profunda e intensa. Tenho esses pensamentos moldados em minha mente, mas para não me prolongar muito com os textos, optei por separá-los, mas a seqüência de pensamento é a mesma.

Felipe de Moraes
15 e 16 de Fevereiro de 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009

Final de tarde, final da semana. Chuva.


Uma nova visão de vida? Um olhar através de um espelho? A realidade não existe, é algo que temos a ilusão de estar ali, assim como o tempo e o espaço. Toda a criação resume-se à associação de uma energia muito forte com moléculas, elétrons e quarks associados, formando assim a matéria. O que há exatamente no núcleo de um elétron? Vácuo. E o que é o vácuo?! Nada. Ou seja, no seio de toda matéria, há exatamente NADA! Loucura? Pode parecer, mas é o que a Física moderna estuda, e uma linha de filosofia que proponho começarmos uma discussão exatamente agora: Ciência pura e exata, Deus, e Filosofia Plena. Um caminho para a salvação? Talvez. Mas o caminho para preenchermos quase todas as lacunas que nos assolam. Abro qui a pergunta primordial: Por que existe alguma coisa ao invés de nada?


A vida se decorre, mas para que lado? Em que sentido? Para onde vai todo o conhecimento que adquirimos no decorrer do tempo que temos?


Em que sentido, sabemos que uma árvore é uma árvore? Por que nos ensinaram isso. As moléculas não poderiam estar organizadas de outra maneira, a ponto de ser outra coisa, por exemplo uma pedra? E o que diferencia uma pedra de uma árvore? A formação molecular é praticamente a mesma, mas a organização muda. O que ou Quem estabelece essa organização para algo ser uma coisa, e não outra?



E porque o mundo o é tal como o conhecemos, e não de outra maneira? Poderia a Terra ter evoluído de outra maneira? Poderia o mundo caminhar por vários universos paralelos? Por exemplo, um gato numa caixa, fechada ermeticamente. Dispomos também dentro um vidro fechado de cianeto, sobre o qual pende um martelo, o qual pende por uma única molécula de material radioativo, que a qualquer momento pode desintegrar-se. Quando a molécula desintegra-se, o martelo cai, quebrando o vidro contendo cianeto e despejando o conteúdo no interior da caixa, matando assim o gato. Naturalmente, não sabemos quando essa molécula radioativa poderá desintegrar-se, consecutivamente não sabemos quando o martelo cairá, liberando o cianeto, e matando o gato. Do lado de fora da caixa, não sabemos o que acontece lá dentro. São dois universos distintos: o gato pode estar vivo, e o gato pode estar morto. Nosso conhecimento gira em torno dessas duas possibilidades, mas não sabemos o que acontece. Há essa possilidade de divisão? Creio que não, das duas possibilidades, uma: gato vivo ou gato morto. Porém não dois universos paralelos. Esse "poderia estar", refere-se ao "como estaria". Como o tempo e o espaço são somente uma aparência, não poderiam dividir-se em universos de aparências distintas. Isso mudaria certamente a organização do Universo tal como o conhecemos


O que há no outro lado de um reflexo, na água por exemplo? Um outro universo completo ou apenas o reflexo distorcido do que já conhecemos? Como tempo, espaço e realidade são meras sensações, creio que a resposta não seja difícil.


Felipe de Moraes
31 de janeiro de 2009
Registros fotográficos realizados em 30 de janeiro de 2009